Motoristas e cobradores da VB Transportes e Turismo atrasaram hoje a saída da frota de ônibus que opera na área 3 (linhas verdes) em duas horas. O atraso causou prejuízos para cerca de 50 mil dos 80 mil usuários que usam o serviço no período da manhã. Das 4h20 até 5h30, era para sair 100 veículos do primeiro e segundo horários. Mas, só a partir das 5h30 é que todos os 283 veículos começaram a sair da garagem.

O protesto, de acordo com informações que chegaram à empresa, foi motivado por supostas demissões de cobradores. Após a diretoria da VB ter explicado que a falta de cobradores e motoristas no mercado é crônica, os funcionários retomaram as atividades.

“Existe um problema de apagão de mão-de-obra no setor. Não é de hoje que as concessionárias têm dificuldades para contratar motoristas, cobradores e até mesmo pessoal para fazer o abastecimento dos veículos”, explica Paulo Barddal, diretor de Comunicação e Marketing da Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas (Transurc), à qual a VB é associada.

As empresas, inclusive, têm treinado cobradores para que assumam as funções de motorista mas nem mesmo essa iniciativa surtiu o efeito desejado. Outro problema enfrentado diariamente pelas empresas, de forma geral, é que dezenas de cobradores faltam ao trabalho e justificam as faltas com atestados médicos.

A VB nem as demais concessionárias têm qualquer tipo de programa de demissão de cobradores ou qualquer outra função em curso. “Simplesmente, o número de interessados em exercer a profissão de cobrador é cada vez menor. As empresas tentam contratar cobradores para repor os quadros mas não conseguem”, afirma Barddal.

No Brasil, o apagão de mão-de-obra é sentido até mesmo para profissões de nível universitário, com médicos e engenheiros, por exemplo. Recentemente, o governo federal tomou a decisão de “importar” médicos para suprir o déficit existente no país.