As concessionárias do transporte coletivo urbano de Campinas, por intermédio da Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas (Transurc), protocolaram ontem um pedido de reajuste para a tarifa. A planilha de custos, que aponta o valor de R$ 3,8080, foi protocolizada junto à Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), o órgão gestor do Sistema Intercamp.

De janeiro a outubro deste ano, de acordo com os cálculos realizados pelos técnicos da Transurc, o desequilíbrio econômico-financeiro do sistema ônibus foi de R$ 3,9 milhões mensais, em média. “Temos diversos fatores que contribuem para a existência desse déficit mas os principais são os constantes reajustes nos valores dos insumos que compõem a cesta do transporte, entre eles a mão-de-obra, óleo diesel, pneus, peças, acessórios, chassis e carrocerias”, explica Paulo Barddal, diretor de Comunicação e Marketing da Transurc.

Além disso, é importante ressaltar que cerca de 28% dos usuários que são transportados diariamente em Campinas deixam de pagar passagem, o que contribui para elevar o desequilíbrio. O número elevado de gratuidades, somadas às integrações proporcionadas pelo Bilhete Único, que permite o uso de até três ônibus no período de uma hora e meia com o pagamento de apenas uma tarifa, também impacta de forma significativa nos cálculos do preço da passagem.

Desde maio de 2006, quando foi criado o Bilhete Único, até outubro de 2012, as operadoras do transporte investiram na renovação e ampliação da frota. “A frota operacional em maio de 2006 era composta por 815 ônibus. Hoje, é de 924 veículos”, diz Barddal.

Com a ampliação da frota foi necessária a contratação de mais motoristas, cobradores, mecânicos e demais funções. E, proporcionalmente, houve mais gastos com os salários e encargos dos novos contratados, manutenção, pneus, combustível, peças, acessórios e lubrificantes, entre outros itens decorrentes do aumento da frota.

As concessionárias, desde maio de 2006 até outubro deste ano, investiram R$ 248.636.873,34 na compra de 860 novos ônibus. Hoje, a idade média da frota de Campinas é de 4,51 anos. “Temos 470 veículos adaptados ao transporte de pessoas com necessidades especiais”, argumenta Barddal. As empresas também, para cumprir as exigências contratuais, investiram mais R$ 9.373.624,43 na construção das estações de transferência.

O último reajuste de tarifa em Campinas, que ficou abaixo dos índices inflacionários, também contribuiu para ampliar o desequilíbrio. A tarifa foi reajustada em 5,26% e a inflação, de acordo com o IPCA da época, foi de 6,50%.