Destruição do Ônibus Urbanos em Campinas Durante o Carnaval

Vandalismo acarretou um prejuízo de mais de R$ 230 mil às concessionárias; aumento de 65% no número de carros afetados em relação ao ano passado

Mais uma vez o Carnaval de Campinas foi marcado pelo vandalismo e pela impunidade. Entre sexta (4/3) e terça-feira (8/3) foram cometidos 66 crimes de depredação em ônibus, que tiveram bancos arrancados, vidros quebrados, pichações, parte elétrica danificada, janelas de emergência e alçapões arrancados, além de tetos quebrados e até validadores arrancados. “O prejuízo ultrapassa os R$ 230 mil, valor quase suficiente para a compra de um ônibus zero quilômetro”, ressaltou Paulo Barddal, diretor de Comunicação e Marketing da Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas (Transurc).

As concessionárias VB Transporte e Turismo, Expresso Campibus, Itajaí Transportes Coletivos e Onicamp Transporte Coletivo, todas associadas à Transurc, disponibilizaram estes ônibus para a Operação Carnaval, que consiste em fazer o transporte dos foliões durante a madrugada. “O aumento do número de ônibus danificados foi assustador, uma vez que houve um crescimento de 65% em relação aos 40 ônibus atacados no ano passado”, explicou Barddal.

A região mais afetada, assim como nos anos anteriores, foi a do Ouro Verde. A VB Transportes e Turismo, concessionária que opera naquela região, teve 41 carros depredados. “Infelizmente essa não é a primeira vez que o transporte coletivo urbano de Campinas sofre com o vandalismo no período do Carnaval. A Transurc e as empresas concessionárias têm uma campanha contínua contra este tipo de ato, mas alguns vândalos parecem se sentir bem agindo desta forma”, relembrou o diretor.

Desrespeito com a comunidade

O vandalismo também acaba mexendo com o bolso do passageiro, pois o cálculo da tarifa no transporte urbano inclui os gastos com as reformas. “Enquanto as autoridades não tomarem atitudes preventivas e corretivas, os cidadãos de bem vão continuar a sofrer consequências dos atos irresponsáveis de alguns deliquentes. Vale lembrar que o valor da passagem é calculado de acordo com o número de passageiros transportados, mais o volume do subsídio a estudantes, idosos e outros benefícios à população. Se não existissem os gastos com vandalismo, haveria um impacto menor nos reajustes de tarifas”, completou Barddal.

A Transurc ressalta que esse balanço é referente apenas aos veículos das concessionárias que são suas associadas e que não possui os dados referentes aos veículos dos permissionários (alternativos) que se reúnem hoje em cooperativas.

Desrespeito com o trabalhador

Para atender os foliões, as concessionárias tiveram que manter dezenas de trabalhadores, entre eles motoristas, cobradores, mecânicos, fiscais, pessoal da limpeza, eletricistas, funileiros, controladores de tráfego, entre outros durante o período de Carnaval. “São pessoas que se revezam 24 horas por dia para manter o serviço e também para arrumar os ônibus para que todos os veículos estejam à disposição da população usuária na Quarta-Feira de Cinzas. Esse tipo de ação contra o patrimônio, tipificado como crime pela nossa legislação, é vergonhoso para Campinas, uma cidade cantada em verso e prosa pela sua pujança. Os vândalos não ganham absolutamente nada com isso, mas continuam agindo, quase sempre nos mesmos lugares, devido à impunidade”, finalizou Barddal.