Uma gleba pública de 56 mil metros quadrados — encravada entre o Jardim Myrian e o Parque dos Pomares, em Campinas — está sendo reflorestada com recursos da VB, tradicional empresa campineira do setor de transportes. A gleba recebe o plantio de 13,5 mil mudas nativas – pioneiras ou não daquela região — com o propósito de promover a substituição gradual de espécies dos diferentes grupos ecológicos.

O método não é fácil. As mudas são separadas de acordo com a espécie de cada uma, e cultivadas dentro de seus grupos funcionais, com a distribuição nas linhas de plantio definidas, para que indivíduos da mesma espécie não fiquem agrupados.

Até a profundidade das covas e o distanciamento entre as fileiras seguiram orientações técnicas específicas. E o resultado já aparece em trechos que já foram reflorestados: o sombreamento é mais rápido e os custos de manutenção são menores.

O projeto, que tem como responsável técnico o agrônomo Raphael Pinheiro de Magalhães, implica no cultivo de 80 espécies diferentes. Entre elas estão as consagradas ipê, jequitibá, cedro, ingá, guarantã, quaresmeira, canelinha, embaúba e angico, entre outras, muito comuns em diversas regiões do Município.

O projeto prevê, resumidamente, o controle das espécies competidoras, garantindo o crescimento saudável das mudas. Os procedimentos tomaram cuidados essenciais, como por exemplo o extermínio de gramíneas exóticas como o capim braquiária, que além de tomar espaço roubava água e nutrientes do solo. Os herbicidas e as motorroçadeiras já acabaram com a praga.

Mas os técnicos tomaram um cuidado importante. Ervas daninhas foram combatidas com substâncias medianamente tóxicas, regulamentadas por instrução normativa do Ibama, que em nenhum momento colocaram em risco a qualidade do solo ou a sobrevivência das espécies cultivadas.

Aconteceu também o controle das formigas cortadeiras (como as saúvas), dizimadas com iscas químicas granuladas, espalhadas sobre o solo úmido.

Identificação digital

E quem passa diante da gleba reflorestada não imagina que o verde também esconde tecnologia de Primeiro Mundo. Todas as mudas plantadas contam com identificação digital, que permitem ao poder público o controle exato sobre a vida útil das árvores. Será possível, por exemplo, ordenar o replantio de mudas que, por algum motivo, não sobreviverem.
O administrador vai saber exatamente que espécie plantar em determinado trecho, obedecendo as regras do cultivo ordenado.

Já se nota uma transformação radical na gleba onde, antes, predominava a vegetação rasteira e árvores nativas diversas, isoladas. Era um enorme pasto. O trecho é todo rodeado por exóticos pinheiros. E, além da cerca viva, um alambrado garante que a área não será invadida por animais herbívoros ou por vândalos.

Em pouco tempo, vai haver por ali um bosque formado, enorme, e a região vai ganhar um pulmão verde.