Como num filme-catástrofe a falta de seriedade em relação ao transporte público coletivo pode nos conduzir da pandemia ao pandemônio

RAFAEL TELES via Diário do Transporte

Enquanto o governo decide que Igrejas são serviços essenciais, oferece socorro às empresas aéreas e discute se deve ou não deve seguir todas as demais nações do mundo em relação ao enfrentamento da Covid-19, os sistemas de transporte público brasileiros vão se desintegrando diante de um ensurdecedor silêncio.

Sim, é verdade que a crise está há muito instalada no setor. Também não é fato novo a confusão que se faz entre Política de Transporte e política no transporte, o que também explica, em grande parte, a visão caricata que se construiu na opinião pública – melhor seria dizer no imaginário popular – de que todo o debate sempre se estabelece em torno dos interesses dos empresários do setor, os “tubarões da catraca”, os “reis dos ônibus” – ou seja lá qual for o título extravagante que ajude a vender jornais (ou, mais modernamente, obter cliques).

Em verdade, construímos no Brasil sistemas de transporte público coletivo perversos, num modelo que só funciona se um pobre subsidiar outro pobre. Sim, são só os pobres (ou os empregadores dos pobres) que pagam pela existência do serviço – e também pagam pelos idosos, pelos estudantes, pelos carteiros e por quem mais for alçado à condição de merecedor de uma isenção. Esse modelo, todos sabemos, limita a fome ao dinheiro que estiver disponível a pagar pelo prato – e é óbvio que, em sendo um sistema financiado apenas pelos mais pobres, o tamanho do prato fica sempre aquém da fome.

Presos que estamos a soluções como o vale-transporte, que é positiva mas não alcança  grandes indústrias, bancos ou companhias aéreas – cito esses três segmentos como exemplos onde a despeito de grande capacidade contributiva e incentivo governamental usa-se maciçamente o transporte privado – só conseguimos financiar a operação do transporte público coletivo quando ele usado acima da sua capacidade ótima (afinal, quem paga a tarifa o faz por si e por mais alguém que usa o serviço sem pagar). E sobrevivemos assim até o Covid-19.

A pandemia paralisou o convívio social, as atividades de educação, parte da produção. E se para combatê-la é preciso reduzir a circulação de pessoas, nos restaria paralisar o transporte público coletivo, certo? Não.  De repente, as autoridades brasileiras descobriram que a operação dos sistemas de transporte é essencial ao funcionamento dos hospitais, dos supermercados, das padarias, dos açougues e até das lojas de material de construção – todos, agora, também equiparados em essencialidade ao próprio transporte público. E mais: decidiram que está proibida a lotação dos veículos, agora todos devem viajar sentados (penso que nem o mais otimista dos manifestantes de 2013 imaginaria essa conquista).

E é aí que mora o nosso novo problema. A crise dentro da crise. Ao mesmo tempo que as pessoas reduziram o uso do serviço, foi preciso manter a frota em operação como se a vida estivesse normal. E isso não está sendo um problema em Paris, que vive o mesmo quadro de pandemia, mas onde 60% do custo do sistema de transporte é financiado pelo Estado ou pelas grandes empresas. Nem em Londres, onde uma taxa de congestionamento aplicada aos transportes privados cobre os custos de parte do serviço. Nem mesmo em São Paulo, que destina quase 3 bilhôes de reais por ano para manter o sistema de transporte público com uma qualidade maior que a que seria possível por uma tarifa de R$ 4,25. É em Macapá, João Pessoa, Pelotas, Salvador ou Tubarão que a nova realidade está cobrando o preço mais alto.

Sem outra fonte de custeio que não seja a própria tarifa cobrada dos usuários, que já não usam mais o serviço, o Brasil opera aos olhos do mundo um milagre econômico: espera que empresas privadas comprem combustíveis, peças, pneus e paguem salários com um dinheiro que, simplesmente, não existe. E antes que alguém fale nos “reis dos ônibus” a gente precisa lembrar que o lucro das empresas – pelo menos no caso das urbanas, com contratos licitados, já estava limitado. Diferente das empresas aéreas que aumentam as passagens conforme a demanda, as empresas de ônibus não têm poder para definir nem preço e nem oferta. Nem custo, nem qualidade.

Ao contrário do Boi, da Bala e da Bíblia, representados politicamente no Congresso, o transporte coletivo só conta com a bancada dos ônibus, aquela em que os passageiros tomam assento – enquanto ainda há vagas (e ônibus, claro). Os 107 mil ônibus urbanos brasileiros empregam mais de meio milhão de pessoas diretamente. E, para essas pessoas, bem como para as que dependem do serviço de transporte coletivo (pagando por ele ou não), aparentemente, o Governo Federal e os Governos Locais deixam, nesses tempos de lacração em redes sociais, no máximo, uma hashtag: #elesquelutem.

Rafael Teles, é bacharel em Administração pela Universidade Federal da Bahia, especializado em Planejamento de Transporte e Gestão da Mobilidade Urbana e Diretor de Produto da Transdata

Agências receberão fundos federais como ajuda financeira no combate à pandemia de coronavírus

ALEXANDRE PELEGI via Diário do Transporte

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um pacote de ajuda financeira para mitigar os efeitos da pandemia de coronavírus no país.

No dia 27 de março de 2020, Trump assinou a Lei de Auxílio, Alívio e Segurança Econômica dos Coronavírus (CARES – Coronavirus Aid, Relief and Economic Security) em uma cerimônia no Salão Oval na Casa Branca, marcando a etapa final necessária antes que o auxílio financeiro possa ser fornecido às agências de transporte do país.

As operadoras trabalham para manter seus sistemas limpos e operacionais durante o período da pandemia de coronavírus, e aguardavam o suporte do governo.

O projeto é a maior peça da legislação já assinada em lei e contém US$ 25 bilhões (cerca de R$ 127 bilhões) para agências de transportes. Além disso, destina US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,5 bilhões) para a Amtrak, estatal federal de transporte ferroviário de passageiros dos Estados Unidos.

O objetivo é apoiar os esforços empreendidos no combate à propagação da pandemia.

A American Public Transportation Association (APTA) – uma associação sem fins lucrativos que promove e defende os interesses do setor de transporte público nos Estados Unidos -, explicou ao Portal Mass Transit que os US$ 25 bilhões para as agências são quase três vezes o valor que elas receberam no ano fiscal de 2020.

Os US$ 25 bilhões serão direcionados por meio da Administração Federal de Transporte. A Lei CARES determina que esses fundos serão distribuídos dentro de sete dias após a promulgação da lei.

O transporte público é uma tábua de salvação crítica para milhões de americanos, e essa legislação fornecerá o apoio necessário aos sistemas de transporte que trabalham incansavelmente para fornecer serviços essenciais de transporte público para profissionais de saúde, socorristas e trabalhadores de supermercados e farmácias, além de assistência médica, transporte para diálise renal, tratamentos contra o câncer e outros cuidados críticos”, disse o presidente e CEO da APTA, Paul P. Skoutelas.

A injeção de financiamento ocorre quando agências de todos os tamanhos estão sentindo a pressão financeira para manter seus sistemas operacionais em atuação para transportar trabalhadores essenciais e passageiros que precisam fazer viagens essenciais como compras, mas a redução nas receitas tarifárias e a perda antecipada de impostos sobre vendas, juntamente com os custos adicionais de limpeza, levaram vários provedores de transporte público ao limite.

A ONG TransitCenter determinou em uma análise recente que o impacto cumulativo nas agências de transporte dos EUA poderia estar entre US$ 26 bilhões e US$ 38 bilhões, dependendo da extensão das políticas de distanciamento social promovidas pelas autoridades públicas como forma de combate ao cornavírus.

Os fundos previstos na Lei CARES só podem ser usados ​​para prevenir, preparar e responder ao coronavírus. O texto do projeto de lei também declara que as despesas operacionais relacionadas à resposta à pandemia são elegíveis para esse financiamento. Além disso, as agências de transporte poderiam ser reembolsadas pelos custos operacionais acumulados a partir de 20 de janeiro de 2020, para manter serviços e receitas perdidas devido à pandemia, incluindo a compra de equipamentos de proteção individual e o pagamento de licença administrativa para o pessoal de operações devido a uma redução em serviço.

Em épocas como essa, nós, como nação, percebemos e apreciamos o papel vital que a infraestrutura de transporte desempenha na ‘cadeia de suprimentos’ para estocar nossas mercearias, levar remédios e equipamentos necessários para hospitais e permitir que o restante de nós a seguir nossa vida”, disse a secretária de transportes dos EUA, Elaine Chao. “A assinatura do Presidente da Lei CARES garante que recursos federais críticos cheguem em breve aonde são necessários e ajudem os trabalhadores em todo o sistema de transporte do país“.

Enquanto isso, no Brasil, as empresas de transporte rodoviário urbano e interurbano continuam alertando para a situação de crise que o setor já mergulha.

O colapso nos sistemas de transportes, essencial para a manutenção das atividades essenciais, está próximo, como alertou o prefeito de Salvador, ACM Neto. Relembre: Prefeito de Salvador alerta Bolsonaro para colapso do transporte público

Antes de ACM, no entanto, a NTU, associação que representa mais de 500 empresas de ônibus urbanos e metropolitanos de todo o País, já previra que a partir de 05 de abril, os sistemas públicos de transportes podem entrar em colapso com paralisação dos serviços.

Em nota, a entidade diz que essa parada não será por determinação de prefeitos e governadores, mas porque as viações não terão dinheiro para pagar salários de motoristas, cobradores e demais funcionários do setor de transportes. Relembre: Sistemas de ônibus urbanos no Brasil vão entrar em colapso no dia 05 de abril e empresas querem seis meses de suspensão de impostos, diz NTU

Em nota distribuída em 25 de março, a Associação explicou que, com as medidas de restrição a circulação de pessoas, recomendadas pela OMS – Organização Mundial da Saúde como a maneira mais eficaz até agora de conter o avanço do coronavírus, a demanda de passageiros tem caído. Além disso, a entidade de empresários de ônibus calcula que 184 cidades já foram obrigadas a suspender o serviço de transporte por decisão do poder público.

A NTU, em conjunto com o Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes Públicos de Mobilidade Urbana e a ANTP – Associação Nacional de Transportes Públicos, entregou um conjunto de medidas emergenciais ao Governo Federal.

Sob o nome de Transporte Social, as entidades propõem que o Governo Federal destine R$2,5 bilhões por mês para aquisição dos créditos eletrônicos de passagens, enquanto perdurar a crise do COVID-19. Relembre: NTU, Fórum de Secretários e ANTP propõem ao Governo Federal compra imediata de passes de ônibus na ordem de R$ 2,5 bilhões/mês

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Gestora da bilhetagem recomenda às pessoas que necessitam de transporte usem aplicativo Transurc Smart e façam as compras pelo site da associação

A Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas (Transurc), entidade responsável pelo sistema de bilhetagem do transporte urbano, informa que mantém apenas os serviços essenciais como a venda de passes Bilhete Único e o QR Code, além da emissão de primeira e segunda vias. A medida foi adotada devido ao decreto de quarentena da Prefeitura de Campinas.

“Como o transporte público é considerado essencial. Por isso, temos a responsabilidade de garantir o direito de ir e vir das pessoas, embora a quantidade de passageiros transportados tenha reduzido nos últimos dias. Dessa forma, manteremos apenas os serviços estritamente necessários”, afirma Paulo Barddal, diretor de Comunicação e Marketing da Transurc.

A Transurc recomenda às pessoas que utilizarão o transporte nos próximos dias a utilizar o aplicativo Transurc Smart, no qual é possível comprar o QR Code. Os cartões eletrônicos Bilhete Único Comum e Vale-Transporte podem ser adquiridos pelo site www.transurc.com.br.

Minimizar riscos ao máximo

Além disso, a associação informa às pessoas titulares dos benefícios de gratuidades e também são portadoras de algumas doenças específicas (leia a relação abaixo) que poderão solicitar a revalidação por intermédio de terceiros. Nesses casos, os terceiros precisam apresentar um documento original e oficial de identidade do beneficiário.

Hoje, a Transurc concede benefícios de gratuidades 100% para 4.894 pessoas. Do total, 822 estão incluídas em grupo de risco, ou seja, 17% do total.

Estão inclusos nesse grupo os portadores de doenças como neoplasias, doenças de sangue, dos órgãos hematopoéticos e alguns transtornos imunitários, endócrinas, nutricionais e metabólicas, do aparelho respiratório, do aparelho digestivo, da pele ou do tecido subcutâneo, além dos portadores de causas externas de morbidade e mortalidade e de fatores que influenciam o estado de saúde e do contato com os serviços de saúde.

O atendimento para esses casos específicos, que anteriormente exigiam a presença dos titulares dos benefícios, continuará a ser feito na sede da Transurc, na Rua 11 de Agosto, 757, Centro.

O Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros da Região Metropolitana de Campinas (SetCamp), entidade que representa as concessionárias do transporte urbano de Campinas, recebeu com muita preocupação a informação dada pelo prefeito Jonas Donizette. Ontem, em uma live que está publicada no Facebook da autoridade, está dito que seria suspenso o serviço regular do transporte coletivo.

O setor de transporte coletivo tem cerca de 2,5 mil funcionários, entre motoristas, mecânicos, fiscais, eletricistas, pessoal da limpeza e funções administrativas. Com a queda constante no número de passageiros transportados na última semana em função do novo coronavírus (Covid-19), as operadoras já estavam preocupadas com o pagamento dos salários e dos benefícios dos trabalhadores, além dos compromissos junto aos fornecedores.

“Durante toda a semana, as empresas sempre rodaram com uma oferta maior de serviço do que a demanda existente. As concessionárias, assim como os demais operadores do serviço de transporte público, sobrevivem das receitas da venda de passes, do QR Code (apenas 1% do volume total) e de um subsídio que é insuficiente para cobrir todas as gratuidades”, explica Paulo Barddal, diretor de Comunicação do SetCamp.

E como o transporte público municipal, pela Constituição Brasileira, é de responsabilidade dos municípios, o SetCamp espera por uma decisão imediata por parte da Prefeitura de Campinas. “Precisamos desse posicionamento urgente porque as concessionárias precisam tomar as medidas necessárias junto aos seus funcionários, fornecedores e clientes. Com a queda da demanda, a receita caiu brutalmente”, enfatiza Barddal.

Números da semana

O SetCamp elaborou, com base em relatórios emitidos pela gestora da bilhetagem eletrônica, a Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas (Transurc), um comparativo com os números de passageiros transportados nesta semana. Os dados apresentados são a partir da última segunda-feira, quando houve o agravamento da crise da Covid-19.

Na última segunda-feira, dia 16, as concessionárias transportaram 352.285 passageiros (inclui as gratuidades, hoje arcadas apenas pelo Sistema InterCamp), ou seja, 18,9% a menos que a quantidade transportada na segunda anterior, dia 9, quando o número foi de 434.571 passageiros. No dia seguinte, na terça-feira, dia 17, a queda se acentuou e chegou a 28,8%, em comparação com último dia 10. Caiu de 439.085 para 312.743 passageiros transportados.

Na quarta-feira, o volume despencou 33,3%, ou seja, caiu de 436.109 para 290.983 passageiros transportados. Na quinta, dia 19, foram levados 258.099 passageiros contra 428.143 passageiros no mesmo dia da semana anterior, ou seja, houve uma perda de 39,7%.

Anteontem, sexta-feira, o volume de perda chegou a 47,3% pois foram transportados somente 216.620 passageiros contra 410.835 na sexta da semana anterior. “Os números de sábado e domingo serão divulgados amanhã, após a Transurc processar os dados do final de semana.

“É importante enfatizar que hoje o transporte público de uma maneira geral é o único que transporta gratuidades como estudantes universitários, escolares, idosos e pessoas portadoras de doenças que as incapacitem ao trabalho. Os demais aplicativos e meios alternativos levam apenas aqueles que conseguem pagar. Em síntese, o transporte público não pode parar porque muitas pessoas dependem dele”, finaliza Barddal.

 

Comparativo semanal do passageiro total – variação %        Dia

Data Qnt. Passageiros Data Qnt. Passageiros Variação
09/03/2020 434.571 16/03/2020 352.285 -18,9%
10/03/2020 439.085 17/03/2020 312.743 -28,8%
11/03/2020 436.109 18/03/2020 290.983 -33,3%
12/03/2020 428.143 19/03/2020 258.099 -39,7%
13/03/2020 410.835 20/03/2020 216.620 -47,3%

 

A tabela acima mostra o comparativo transportado pelas concessionárias nesta última semana. A comparação é realizada com os mesmos dias da semana anterior. Nesses totais estão incluídos todos os passageiros de Campinas, incluindo as integrações e gratuidades, hoje de 37% no município.

As concessionárias do transporte coletivo em Campinas – VB Transportes e Turismo, Itajaí Transportes Coletivo, Onicamp Transporte Coletivo, Coletivos Pádova e Expresso Campibus – intensificaram os processos de higienização dos seus veículos e, desde a semana passada, estão fornecendo orientações internas aos funcionários sobre os procedimentos que devem ser adotados na luta contra a proliferação do novo coronavírus. Para o público externo, em conjunto com a Emdec, Transurc e SetCamp, estão sendo feitos cartazes informativos que serão colocados dentro dos ônibus, postos de vendas e terminais.
“Elaboramos cartazes de orientação aos funcionários e ao público. Os cartazes serão colocados dentro dos veículos durante a semana. Além disso, os colaboradores já receberam informações internas e será disponibilizado álcool gel para que intensifiquem o processo pessoal de higienização”, afirma Paulo Barddal, diretor de Comunicação do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros da Região Metropolitana de Campinas (SetCamp).

As equipes que trabalham nas várias garagens do grupo fazem uma limpeza completa em todos os veículos do grupo e se utilizam de produtos químicos homologados pela Anvisa, como bactericidas e detergentes especiais em bancos, balaústres, vidros e demais partes internas.

“Já fazíamos o processo de limpeza diariamente. Mas, agora, foi determinado aos funcionários o aumento da concentração do germicida e dos demais produtos utilizados no dia a dia. Além disso, passamos a fazer uma higienização mais pesada nos ônibus e o nosso pessoal está se revezando em turnos durante o dia, noite e madrugada”, afirma Barddal.

Como é feito o processo?
Logo após os ônibus retornarem às garagens, as equipes fazem uma varrição nos veículos e, em seguida, aplicam produtos com bactericida e detergente nos pisos. Em seguida, os ônibus passam por rolos de lavagem externa.
Em seguida, os funcionários entram nos veículos com bactericida desinfetante e limpador multiuso, e aplicam novamente os produtos em todos os pontos, desde os bancos, balaústres, vidros e demais partes internas dos veículos.
Barddal lembra que o processo de higienização contribui para evitar a proliferação de bactérias mas ressalta que cada pessoa, por recomendação das autoridades de saúde, precisa redobrar os cuidados com a sua higiene pessoal. “Os especialistas recomendam que as pessoas lavem suas mãos com mais frequência e de forma mais detalhada e também utilizem o álcool gel 70% para desinfecção das mãos, entre outras medidas, de forma a evitar a transmissão do novo coronavirus, a Covid-19)”, explica.

O que faço para me proteger?
As recomendações do Ministério da Saúde são as seguintes: evitar contato próximo com pessoas que sofrem de infecções respiratórias agudas; realizar lavagem frequente das mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente; utilizar lenço descartável para higiene nasal; cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir (não utilizar as mãos, sempre utilizar o braço ou antebraço); evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca; higienizar as mãos após tossir ou espirrar; não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas; evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações.

O que fazer se ocorrerem sintomas do vírus?
No caso de sintomas relacionados a uma doença respiratória, sempre procure orientação médica. É importante saber que o Ministério da Saúde lançou o aplicativo Coronavírus — SUS para ajudar a população no trabalho de informação e prevenção em relação ao novo vírus.

O app está disponível para celulares com sistema Android ou IOs e traz informativos sobre os sintomas, prevenção, o que fazer em caso de suspeita e um mapa indicando as unidades de saúde próximas, entre outras informações. Mais detalhes e informações sobre o novo vírus você encontra no site do Ministério da Saúde.

A equipe da Transurc, responsável pelo Passe Escolar e Universitário, já atendeu mais de 23,5 mil estudantes até o final de fevereiro, os quais estão aptos a utilizar o benefício neste ano letivo. A expectativa é atender um total de 36 mil alunos.

O atendimento aos estudantes de escolas públicas e privadas, do ensino Fundamental, Médio e de cursos técnicos de Campinas, assim como dos universitários, ganhou um reforço de mais três pessoas, o que trouxe mais agilidade aos processos.

O estudante que precisa atualizar seu cadastro, ou fazê-lo pela primeira vez, precisa preencher corretamente os dados pela internet, no site da Transurc, para que os mesmos sejam validados pela associação e pelas escolas ou universidades. Depois disso ele precisa pagar a taxa de serviço e, após a baixa bancária, o cartão é liberado para recarga.

 

Jovem motorista de ônibus da VB3 veio do Paraná em busca de sonho

Neste mês de março, quando se comemora o Dia Internacional da Mulher, vamos contar a história da jovem motorista da VB3, Josiani Daniela dos Santos Silva, que há 12 anos trocou a cidade de Maringá, no Paraná, por Campinas, para realizar seu sonho de ser motorista de ônibus. Sua história comprova como as empresas de ônibus abriram suas portas para a força de trabalho feminina em todas as áreas, da manutenção até a condução dos ônibus.

Depois de iniciar sua vida profissional como costureira, ainda no Paraná, Josiani decidiu mudar-se para Campinas, com a cara e a coragem, em busca de seu objetivo. Trabalhou em vários lugares até conseguir emprego como motorista do PAI Serviço, onde ficou por cerca de quatro anos. “Gostei muito desse trabalho, mas chegou uma hora que pedi para ir para a operação dos ônibus urbanos, que sempre foi o que eu queria. E foi uma alegria!”, conta.

Há um ano e meio, ela virou motorista do urbano. Dirige um ônibus novo, com ar-condicionado, da linha 333 – Terminal Barão Geraldo, e se sente muito realizada. “Quem sabe eu não passo para um articulado daqui um tempo”, planeja. Na família, sua profissão é motivo de orgulho, principalmente por parte do pai.“Ele fica todo orgulhoso quando fala para alguém que eu trabalho como motorista de ônibus”, conta.

Para ela, a empresa valoriza muito a mão de obra feminina, pois dá oportunidades para as mulheres trabalharem nas mais diversas áreas, e há muito respeito entre os colegas. “Às vezes a gente escuta umas piadinhas, mas eu sempre levo na brincadeira e respondo com o meu trabalho”, explica.

Expectativa da Transurc é que número chegue a 36 mil até o fim do ano

Mais de 23,5 mil estudantes de Campinas já desfrutam do benefício de desconto nas tarifas de ônibus este ano, com a utilização do Bilhete Único Escolar e do Bilhete Único Universitário. Do total de cartões aprovados até o final de fevereiro, 7,5 mil foram destinados a estudantes universitários e os 16 mil restantes a alunos dos ensinos Fundamental, Médio e de cursos técnicos. A expectativa da Transurc é de que até o final do ano, 36 mil estudantes utilizem o benefício.

Para orientar estudantes durante o processo de solicitação do passe, a Transurc disponibiliza um guia passo a passo no site www.transurc.com.br. O objetivo é antecipar eventuais dúvidas dos usuários.

Entre os itens que mais geram inconformidade no cadastramento estão comprovantes de endereço antigos (eles devem ter no máximo seis meses) e fotos fora da especificação (elas devem ser frontais, sem cabelo encobrindo o rosto e com a boca fechada). Todas as orientações estão no tutorial disponível no site da Transurc.

O estudante que precisa atualizar seu cadastro, ou fazê-lo pela primeira vez, deve preencher corretamente os dados, que serão validados pela Transurc e pelas escolas ou universidades. Depois disso ele deverá pagar a taxa de serviço e, após a baixa bancária, o cartão será liberado para recarga.

 

Novos cadastros
Para quem vai fazer um novo cadastro é preciso entrar no site da Transurc e seguir as instruções para o primeiro acesso. Vale lembrar que é preciso ter o CPF do aluno para iniciar o processo on-line. Ao preencher a primeira etapa no site, o aluno precisa confirmar o cadastro (confirmação feita quando o aluno recebe um e-mail com a senha de acesso) e dar continuidade ao preenchimento.

Os documentos solicitados precisam ser anexados no site. Para ensinos Fundamental, Médio e Superior: foto do aluno, comprovante de endereço e documento oficial com foto. Para o ensino técnico, é preciso ainda ter o contrato e declaração do curso. Em casos de dúvida para o preenchimento, deve-se ligar no Disque-Transurc: 0800 014 0204. A ligação é gratuita.

 

Quem tem direito

O Bilhete Único Escolar (cartão azul) pode ser utilizado pelos estudantes dos ensinos Fundamental, Médio e de cursos técnicos da rede oficial e particular, e propicia um desconto de 60% na tarifa de ônibus. É oferecido para os alunos que residem na cidade, a mais de 1.000 metros do estabelecimento de ensino.
Os estudantes universitários que frequentam aulas em regime presencial integral também precisam se cadastrar pelo site para ter direito ao Bilhete Único Universitário (cartão cinza), que concede um desconto de 50% na tarifa. O interessado deve morar em Campinas, estar regularmente matriculado em Instituição de Ensino Superior (IES) do município e residir a mais de 1 km da universidade. Todos os estudantes que querem usar o benefício precisam ter o cadastro atualizado para 2020 no site da Transurc.

 

Programa foi criado em 2004 e atendeu mais de 136 mil alunos de escolas públicas de Campinas

A Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas (Transurc), organização responsável pela gestão da bilhetagem eletrônica na cidade, decidiu encerrar o Programa Escolas nas Garagens devido à necessidade de redução de custos. O programa atendeu mais de 136 mil crianças em seus 16 anos de existência.

Criado em 2004, o Escolas nas Garagens beneficiou, só no ano passado, 5.400 crianças de 66 escolas estaduais e municipais de Campinas. O programa consistia em um passeio de ônibus com crianças do 5º ano do Ensino Fundamental, de escolas públicas, no qual elas aprendiam noções de cidadania, com ênfase para a preservação ambiental e do bem público, além de informações sobre a história de Campinas.

Com embarque feito na própria escola, os alunos faziam uma parada no Centro, no Largo do Carmo, que é o marco zero da cidade, onde era ministrada uma divertida aula de história. Nesse local, eles também conheciam a trajetória e a contribuição do músico Carlos Gomes para a cultura brasileira e de outros personagens que fizeram parte da construção do município.

Depois, o grupo seguia para uma garagem de ônibus e lá conheciam a rotina do sistema de transporte e o processo de manutenção dos veículos. Tomavam um lanche, assistiam a uma peça de teatro e participavam de um concurso de pintura. No final, as crianças ainda recebiam um kit escolar com caneta, régua, adesivos e cadernos.

O programa contava com o apoio da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) e da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), que oferecia para o ganhador do concurso de pintura, um passeio gratuito na maria-fumaça até Jaguariúna, junto com sua família.