As concessionárias que operam o transporte coletivo urbano em Campinas  – VB Transporte, Itajaí, Pádova, Onicamp e Expresso Campibus – alertam para os possíveis problemas que o setor terá, caso a greve dos caminhoneiros em todo o País, seja mantida. Hoje, os caminhoneiros bloquearam as bases de abastecimento de combustíveis próximas às principais refinarias do Estado – Paulínia, Santos, São José dos Campos, Ribeirão Preto, Sorocaba e Barueri.

“Os caminhões das concessionárias não estão conseguindo carregar diesel, combustível utilizado pelos ônibus. Como trabalhamos com estoque para um dia e, no máximo, um dia e meio, já estamos pensando em um esquema de contingenciamento. Entendemos que é melhor manter o serviço, mesmo que reduzido, do que interromper totalmente”, diz Paulo Barddal, diretor de Comunicação do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros da Região Metropolitana de Campinas (SetCamp).

A proposta é a de operar com frota de entrepico durante todo o dia, a partir de hoje. “Para não pararmos, propomos que haja uma redução de 40% dos veículos que circulam nos horários de pico. Caso o movimento persista, há o risco de os ônibus urbanos começarem a parar, a partir de amanhã. Os caminhoneiros protestam, desde a segunda-feira, contra os sucessivos aumentos no valor do diesel. Nos últimos 12 meses, esse combustível foi reajustado em 56,5%, bem acima da inflação. Em Campinas, rodam 831 ônibus diariamente apenas levando-se em conta as cinco concessionárias operadoras. “O consumo diário de óleo diesel pelas concessionárias de Campinas é de 124 mil litros. O diesel representa 27,79% do custo do transporte”, explica Paulo Barddal.

 

Entenda o caso

Desde que a Petrobras iniciou sua nova política de preços para os combustíveis, em 3 de julho do ano passado, o óleo diesel subiu 56,5% na refinaria, segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) – passou de R$ 1,5006 para R$ 2,3488 (sem contar os impostos). O aumento acompanhou a cotação do petróleo no mercado internacional, exatamente a intenção da estatal.

Mas, para os caminhoneiros, essa alta vem tornando sua atividade inviável, assim como afetam diretamente todos os modais de transporte que utilizam o diesel como combustível. E, por conta disso, fizeram um protesto, nesta segunda-feira, 21, que paralisou estradas em todo o País.

O que os caminhoneiros querem é que o governo promova alguma mudança que faça cair os preços do combustível – o pedido é que sejam reduzidos impostos. “Se o nosso transporte é essencial, queremos um preço diferenciado para o diesel no setor de cargas”, disse Diumar Bueno, presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (não ligados a transportadoras).

O pleito da CNTA também é feito há anos pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) sem sucesso. E, como não há nenhum tipo de medida efetiva no sentido de reduzir a carga tributária para o transporte por rodas, os custos dos insumos que compõem as planilhas de cálculo não são cobertos pelos reajustes das tarifas, criando um círculo vicioso e afastando os usuários.
“A desoneração de toda a cadeia produtiva do transporte é importantíssima. Além da tributação que incide sobre os combustíveis, é possível desonerar, desde que haja vontade política, os impostos que incidem em todas as esferas, sejam elas municipais, estaduais e federal”, afirma Barddal.