Para as operadoras de ônibus da cidade, a ação de vândalos já é rotina. Diariamente chegam às garagens veículos danificados por pichações na lataria ou nos bancos, com estiletadas nos estofados ou vidros quebrados por pedras, chutes ou socos e vários outros estragos.

Estima-se que todas as operadoras de ônibus juntas gastem mais de R$ 1 milhão por ano, só nos reparos dos veículos depredados pela ação dos vândalos. Porém tais atos prejudicam principalmente os usuários, já que o reflexo imediato é a retirada do veículo danificado para o conserto, o que provoca atrasos e falta de ônibus nas linhas.

Gilberto Cassoli de Oliveira, coordenador da Manutenção da VB3, explica que um ônibus depredado costuma ficar no mínimo três dias parado para os reparos. “São três dias que esse carro fica recolhido na garagem, sem atender a população. E isso quando precisamos apenas fazer a limpeza das pichações na lataria e nos bancos, e o reparo de materiais mais simples. Se o estrago ocorre com alguma peça que temos de encomendar no fornecedor, esse tempo pode ser ainda maior”, explica.

Os casos com registro em Boletim de Ocorrência mais frequentes são apedrejamentos, normalmente realizados por pessoas nas ruas, quando os veículos estão em movimento. Nesses casos, o que mais ocorre são vidros quebrados ou estragos em faróis e lataria amassada.

Já pichações, rabiscos e danos a bancos, alçapões, lacres das janelas de emergência e câmeras de monitoramento ocorrem diariamente em todas as empresas, e acabam não entrando nas estatísticas oficiais. “É um patrimônio público sendo destruído dia a dia”, avalia Oliveira.

E esses estragos são rotineiros em todas as empresas do sistema: VB3 e VB1 Transportes e Turismo, Itajaí Transportes Coletivos, Onicamp Transporte Coletivo, Coletivos Pádova e Expresso Campibus. A soma dos gastos com as depredações revela números alarmantes, os quais poderiam estar sendo investidos em melhorias para os usuários.

Antônio Jambeiro Peralva, gerente de Operações da Onicamp Transporte Coletivo, confirma que problemas com vandalismo são constantes. “Recentemente um homem danificou o vidro da porta do ônibus porque o motorista negou carona. E o estrago prejudica justamente quem usa o ônibus no dia a dia, e paga pelo serviço”, avalia.

Valdete Barbosa, coordenadora de Treinamento e Qualidade da VB3, lembra ainda que é comum ocorrerem agressões aos motoristas quando eles tentam evitar atos de vandalismo nos ônibus.

Vandalismo é crime

A Lei municipal nº 15.111, promulgada no fim de 2015, estabelece que pessoas flagradas cometendo atos de vandalismo contra ônibus podem pagar multa de 800 Unidades Fiscais de Campinas (Ufics), o que equivale a R$ 2.700,00. São considerados atos de vandalismo pintar, pichar, grafitar, rabiscar, escrever, desenhar, utilizando qualquer tipo de material que altere a característica original do veículo. E também: depredar, deteriorar, danificar e inutilizar ônibus, por meios próprios ou com o auxílio de qualquer objeto.

Além da multa, serão cobrados os gastos com a limpeza e a restauração do ônibus. A multa poderá ser substituída pela pena de limpeza e/ou restauração, caso o infrator repare imediatamente o dano causado e não seja reincidente. Em caso de reincidência, a multa será dobrada na primeira reincidência e quadruplicada a partir da segunda reincidência. Caso o infrator seja menor de idade, seus responsáveis legais responderão solidariamente pelos danos.

Denúncias

Denúncias de infrações disciplinadas na Lei 15.111 poderão ser efetuadas pelos telefones 153 e 156, bem como na página eletrônica da Prefeitura Municipal de Campinas: www.campinas.sp.gov.br.

Estragos nos últimos 15 meses na VB1

 

1.133 vidros

952 portas

858 bancos

162 balaústres

61 acentos

60 frisos

11 câmeras

6 alçapões