A VB Transportes e Turismo, concessionária que opera as linhas verdes na área 3, foi hoje, novamente, vítima de sabotagem. Entre 4 e 5 horas da manhã, 18 ônibus que estavam estacionados em frente às filas dos demais veículos tiveram as suas chaves furtadas. Ao todo, a frota operacional dessa garagem, que é a segunda maior de Campinas e faz 53 linhas, é composta por 286 ônibus operacionais.

“Felizmente, a empresa tem chaves reserva mas, mesmo assim, os ônibus saíram com um atraso médio de 20 minutos”, afirma Paulo Barddal, diretor de Comunicação da VB. A concessionária, que teve seis veículos depredados da mesma forma desde a última quinta-feira (leia texto abaixo), está registrando boletim de ocorrência no 3º Distrito Policial, localizado no Jardim Chapadão.

Essa empresa também teve problemas na terça-feira passada, um dia antes da greve, quando uma briga entre sindicalistas terminou com a paralisação da empresa e cerca de 160 mil passageiros acabaram sendo prejudicados. “A disputa sindical, que ocorre com maior incidência desde abril de 2008, tem se intensificado e a VB tem sido o alvo preferencial das correntes”, diz Barddal.

Vandalismo

Mais quatro ônibus da VB Transportes e Turismo que opera na área 3 (linhas verdes) foram alvo de crimes de vandalismo em Campinas. Os atos terroristas ocorreram entre 22h40 e 23h55 de sexta-feira e todos tiveram a mesma forma de ataque. Uma dupla utilizando uma motocicleta, armada de revólver para intimidar os motoristas e fazendo ameaças verbais.

“É a mesma maneira como foi atacado o ônibus da VB3 na quinta-feira, na Avenida Nossa Senhora de Fátima, próximo ao Supermercado Dalben, e ontem de manhã, onde outro ônibus da mesma empresa foi atacado, perto do Balão da Morte, no cruzamento das avenidas Jorge Tibiriçá com a Engenheiro Francisco de Paula Souza”, afirma Paulo Barddal, diretor de Comunicação da VB.

Dos quatro crimes ocorridos ontem à noite, o primeiro aconteceu às 22h40, quando o veículo de prefixo 3898, da linha 3.49, com 30 passageiros no interior, foi atacado na Avenida da Saudade, perto ao Colégio Dom Barreto, que teve um vidro bandeira do lado direito quebrado. “O segundo ocorreu na Avenida Engenheiro Francisco de Paula Souza. O veículo de prefixo 3878 fazia a linha 3.78 e tinha um passageiro dentro. O ataque ocorreu por volta das 23h05, perto da EPTV, e foram quebrados um vidro da porta traseira, um da janela do lado esquerdo, outro do lado direito, além de um vidro bandeira do lado direito”, diz Barddal.

O terceiro caso foi às 23h40, na Avenida Brasil, perto do Colégio Mackenzie. Esse veiculo, de prefixo 3014, fazia a linha 3.13 e estava sem passageiro e teve um vidro da porta dianteira quebrado. O último foi contra o ônibus de prefixo 3948 e o crime aconteceu às 23h55, na Rodovia Professor Zeferino Vaz. O veículo fazia a linha 3.31, estava com cinco passageiros dentro e foi atacado próximo ao Bambini. Foi quebrado um vidro bandeira do lado direito.

“O que nos chamou a atenção é que todos os ataques têm forma semelhante de ação e todos os ataques com motociclistas ocorreram contra seis veículos da mesma empresa. Estamos registrando os boletins de ocorrência desses crimes mas, infelizmente, suspeitamos que se trata de mais um desdobramento da disputa sindical que está, há muito tempo, atrapalhando o transporte e a população de Campinas”‘ afirma Barddal. A empresa agora espera que a Polícia Civil tome as providências cabíveis no sentido de apontar os autores dos crimes.

Para entender o caso

A disputa sindical que está causando diversos prejuízos ao transporte coletivo em Campinas se acirrou a partir de março de 2008, quando a diretoria do Sindicato dos Rodoviários de Campinas e Região se envolveu em um escândalo de extorsão contra a empresa de convênio médico Máster Saúde Assistência Médica, plano utilizado por grande parte dos colaboradores do ramo do transporte na época. Com esse fato, opositores à atual diretoria do sindicato ganharam espaço junto à categoria.

Desde então, situação e oposição do sindicato têm travado disputa pelo poder, a qual atinge de forma direta a população, os funcionários e as concessionárias.

Abaixo, algumas das principais ações ao longo dos últimos anos:

28 de março de 2008 – O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Matusalém de Lima, o tesoureiro Gabriel Francisco de Souza e o secretário-geral Izael Soares de Almeida, juntamente com a advogada Kátia Gomide e o marido dela, o assessor sindical Marcos Cará, são indiciados por crime de extorsão e formação de quadrilha. Os sindicalistas são acusados de tentar extorquir R$ 600 mil do plano de saúde Máster. O opositor José Júlio dos Santos assumiu a presidência do sindicato. Lima foi preso na própria casa sob suspeito de extorsão;

16 de abril de 2009 – manifestantes foram à garagem da VB Transportes e Turismo, localizada no bairro Bonfim (área 3), e ao Terminal Central para incitar a paralisação d a categoria. A justificativa dada para a manifestação foi a de que as empresas não estariam interessadas em negociar a pauta de reivindicações apresentada, mas a ação foi feita com objetivo de dar visibilidade à nova diretoria, formada por José Júlio;

07 de maio de 2009 – a Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas (Transurc) foi surpreendida pela decisão do Sindicato dos Rodoviários de anunciar uma greve para o dia 11 de maio (segunda-feira), anunciada na Imprensa local na quinta-feira anterior (07/05). As empresas e os sindicalistas estavam em pleno período de negociação, reuniões e debates. A ação do sindicato foi, novamente, precipitada e demonstrou novamente a necessidade de ganhar apoio e visibilidade junto aos trabalhadores;

15 de novembro de 2011 – 1.400 motoristas e cobradores da VB Transportes e Turismo no bairro Jardim Mercedes (área 1) atrasaram em três horas e meia a saída dos 294 ônibus que compõem a frota operacional. O sindicato alegou que a empresa estaria descumprindo cláusulas do acordo coletivo, entre as quais o não-pagamento de horas-extras. Auditoria feita pela empresa comprovou que não havia nenhuma irregularidade;

11 e 12 de dezembro de 2011 – tentando reforçar sua posição, a oposição do sindicato paralisou a VB1 no dia 11, antecipando a ação dos diretores do sindicato que ameaçaram paralisar a empresa no dia 13. Para não perder espaço diante dos trabalhadores, a situação paralisou a mesma empresa no dia 12, prejudicando mais de 170 mil passageiros que ficaram sem transporte e tiveram os seus compromissos prejudicados;

23 de março de 2012 – manifestantes ligados ao Sindicato dos Rodoviários atrasaram o início da operação na VB3, das 6h30 às 7h30, sob alegação de que queriam melhorias nas condições de infraestrutura nos terminais de ônibus;

10 de maio de 2012 – a tentativa da criação de um novo sindicato da categoria, formado pelos dissidentes opositores de Matusalém de Lima, motivou a paralisação por 5 horas dos 286 ônibus da VB3. Até mesmo os colaboradores da garagem foram pegos de surpresa, sem saber o motivo de serem impedidos de trabalhar. O movimento ocorreu porque membros do Sindicato dos Rodoviários impediram a realização do que seria a assembléia oficial do novo sindicato, na tarde do dia 9. Em represália, os dissidentes bloquearam a saída dos ônibus da garagem, prejudicando 160 mil usuários;

15 de maio de 2012 – integrantes do Sindicato do Rodoviários e colaboradores da VB3 simpatizantes ao grupo de oposição entram em confronto na garagem da VB3. No confronto, colaboradores da VB são agredidos após haver discordância entre os integrantes da categoria sobre a participação na greve, marcada para a zero hora de quarta-feira, dia 16.