O sistema de transporte em Campinas, denominado InterCamp, está a cada dia que passa mais sobrecarregado pelo alto índice de gratuidades ou tarifas reduzidas. Atualmente, mais de 33,4% dos usuários não pagam tarifa. O percentual não inclui os estudantes, com desconto de 60%, e os universitários, que pagam metade do valor da tarifa.

Para compensar o desequilíbrio existente entre a receita arrecadada com a cobrança de passagens e o crescente reajuste dos insumos, fatores que impactam diretamente no aumento dos custos de operação, a Prefeitura de Campinas faz um repasse mensal denominado subsídio.

“Hoje, com a quantidade de gratuidades existentes e com o Bilhete Único, se não existisse o repasse do subsídio para o Sistema InterCamp, composto pelas cooperativas de perueiros e pelas empresas de ônibus, a tarifa necessária para cobrir o custo mensal, dividido pelo número atual de pagantes, teria de ser R$ 4,74”, explica Paulo Barddal, diretor de Comunicação do Sindicato das Empresas de Transporte Metropolitano e Urbano de Passageiros da RMC (SetCamp).

“No mês de janeiro deste ano, por exemplo, foi calculado um repasse de R$ 7 milhões, dos quais R$ 1 milhão para o Programa de Acessibilidade Inclusiva (PAI). O PAI é utilizado por pessoas portadoras de necessidades especiais, de forma gratuita, após fazer o cadastro na Emdec.

Os R$ 6 milhões restantes são divididos de forma proporcional entre as cooperativas de perueiros e as concessionárias de ônibus, de acordo com a participação de cada um dos segmentos no transporte de parte das gratuidades e dos demais usuários”, explica Barddal.

Correção da tarifa fica abaixo da inflação

O índice de 8,5% aplicado no reajuste da tarifa do sistema de transporte público de Campinas ficou abaixo da inflação e da correção de todos os insumos da cadeia de transporte, inclusive salários e benefícios. “Com o desemprego em alta, menos pessoas andam de ônibus e mesmo quem está empregado passa a cortar custos com passeios, por exemplo. As concessionárias vivem um cenário que mescla alta nos custos de operação, queda no número de passageiros pagantes e os crescentes aumentos das gratuidades”, afirma Paulo Barddal, diretor de Comunicação do SetCamp.

Os problemas começaram a se agravar em junho de 2013 quando, por conta de pressão popular em diversas cidades brasileiras, incluindo Campinas, a tarifa foi reduzida em R$ 0,20. Com isso, em 2014 a diferença entre os custos e as receitas (incluindo o subsídio) foi de R$ 18,35 milhões de déficit. No ano passado, o desequilíbrio subiu para R$ 30,42 milhões.

As altas nos principais insumos da cadeia preocupam. No período de outubro de 2014 a novembro de 2015, por exemplo, o preço do óleo diesel registrou alta de 20,5%; peças e acessórios, aumento de 19%; pneus, reajuste de 9,9%; custos com mão de obra, 11,4%. Outro fator que contribui para o desequilíbrio ficar ainda mais grave é o número de passageiros pagantes: a queda no período foi de 8,6% de outubro de 2014 para janeiro deste ano, causada pela recessão econômica e pelo consequente desemprego crescente.

Em contrapartida, o investimento realizado pelas concessionárias na renovação da frota foi de R$ 58 milhões, com a compra de 109 novos carros, sendo 45 articulados. As concessionárias fizeram e continuam fazendo investimentos no sistema de bilhetagem eletrônica, na manutenção de garagens, na frota e no treinamento dos funcionários.

Por conta desse cenário, as concessionárias tiveram de recorrer a bancos para honrar os compromissos com os colaboradores, fornecedores e manter os investimentos exigidos em contrato. O setor de transporte não saiu ileso da crise, assim como em diversos outros setores da economia brasileira que passam por dificuldades semelhantes no momento, como, por exemplo, o da construção civil e o da indústria automobilística.