Em 25 de agosto, a Associação do Transporte Coletivo Urbano de Campinas (Transurc) completa 28 anos. Nesse período, o sistema de transporte de Campinas ganhou em qualidade e eficiência, tornando-se referência em todo o País. Para falar sobre as principais conquistas e desafios da associação, confira entrevista com Armando Correa Damaceno, diretor-executivo da Transurc.
A Transurc completa hoje 28 anos de existência. Qual a importância da associação para o transporte público de Campinas?
Armando Correa Damaceno – A Transurc é a responsável pela emissão, cadastro do Bilhete Único e pela gestão do sistema de bilhetagem eletrônica da cidade de Campinas. Graças ao que ela faz é possível conceder e controlar as diversas gratuidades existentes no transporte, a integração pela qual o usuário paga apenas uma tarifa e faz três viagens no período de duas horas o que, em última instância, torna os deslocamentos mais em conta.
Quais os principais desafios?
Armando Correa Damaceno – Nosso principal desafio é continuar a modernizar o sistema com o que existe de melhor em termos de tecnologia, para que o usuário tenha um transporte público que atenda cada vez mais os seus anseios.
E as conquistas?
Armando Correa Damaceno – Nesses 28 anos, a Transurc tem travado uma luta constante para garantir um sistema de transporte mais transparente, com qualidade e eficiência na gestão de benefícios. Para isso, tem atuado em conjunto com as concessionárias na identificação e implementação de tecnologias que facilitem a vida do cidadão. Esses investimentos permitem também uma maior fiscalização sobre fraudes na concessão de benefícios, de forma a evitar que pessoas que não atendam aos requisitos de gratuidade sejam beneficiadas.
A informatização do sistema faz parte desses investimentos?
Armando Correa Damaceno – A Transurc tornou-se uma referência nacional e para a América Latina e África em assuntos referentes à gestão e soluções para a bilhetagem eletrônica, processos de controle e fiscalização de gratuidades. A associação dispõe de uma equipe técnica interna que desenvolve softwares específicos para as necessidades do transporte coletivo de Campinas. Quem é do setor de transporte sabe que, como o segmento urbano é regido por uma legislação municipal, é necessário que cada sistema de bilhetagem seja customizado para atender as exigências específicas e, nesse aspecto, a Transurc sempre incorporou soluções pioneiras e criativas. Entre elas, podemos citar a comodidade da compra pela internet, a rede credenciada e, agora, a implantação de um aplicativo que permite aos usuários das linhas operadas pelas concessionárias saber o horário exato em que o ônibus estará no ponto.
Como funciona esse aplicativo? Sua implementação exigiu investimentos no sistema de transporte?
Armando Correa Damaceno – O investimento total na implementação do aplicativo é da ordem de R$ 5 milhões em quatro anos. O projeto, que tem supervisão técnica da Transurc e gestão da Emdec, é um sistema gratuito que pode ser baixado em smartphones, tablets e computadores e permite aos passageiros consultar os horários e as localizações dos ônibus urbanos em tempo real. Tem como benefício permitir que o usuário se desloque para o ponto de ônibus sabendo o horário em que o veículo vai passar, reduzindo o tempo de espera. O aplicativo também indica os pontos mais próximos do usuário, as linhas que passam por eles e a que distância os ônibus estão do local.
Para viabilizar o projeto, o setor de transporte de Campinas recebeu investimentos significativos em tecnologia. No último ano, as concessionárias implantaram sistema de localização em 100% da frota. Também foram criadas estações de monitoramento em cada uma das seis garagens existentes na cidade, que se comunicam com o recém-lançado Núcleo de Monitoramento de Transporte da Emdec. Os investimentos contemplam ainda contratação de novos funcionários para operar as centrais de monitoramento e instalação de câmeras em todos os veículos.
Um dos desafios das grandes cidades é acessibilidade. Como as concessionárias têm enfrentado essa questão?
Armando Correa Damaceno – Hoje, a maioria dos 989 ônibus que fazem parte das frotas das associadas da Transurc, a VB Transportes e Turismo, o Consórcio UrbCamp, o Consórcio ConciCamp e a Onicamp Transporte Coletivos, é dotada de recursos (elevadores e piso baixo) que permitem dar acessibilidade aos usuários portadores de necessidades especiais. Além do elevado índice de acessibilidade (81%), as concessionárias ainda oferecem um tipo especial de transporte aos mais necessitados, o Programa de Acessibilidade Inclusiva (PAI). Esse programa tem 50 vans e dois ônibus especialmente adaptados e que prestam um serviço especial gratuito, levando as pessoas cadastradas para tratamento de saúde, atividades de lazer, entre outras, com hora marcada, da casa ao local de destino. Em 2014, por exemplo, foram realizados aproximadamente 128 mil atendimentos.
Em agosto, como parte de compromisso de renovação da frota, as concessionárias entregaram seis vans para o PAI- Serviço, em um investimento de R$ 800 mil.
E quanto às gratuidades? Quem são os beneficiados e qual o impacto no sistema?
Armando Correa Damaceno – Em Campinas, diversos públicos têm direito à gratuidade. Idosos a partir de 65 anos e pessoas portadoras de necessidades especiais não pagam tarifa. Estudantes dos ensinos Fundamental e Médio têm desconto de 60% na tarifa e este ano estudantes universitários ganharam também o benefício de 50% desconto na tarifa.
Importante lembrar que também as viagens realizadas no período de integração podem ser consideradas como gratuidade. Em Campinas, passageiros que utilizam o Bilhete Único podem realizar até três viagens em um período de duas horas e pagam apenas uma tarifa.
Na área social há algum projeto de destaque?
Armando Correa Damaceno – Na área social temos o Escolas nas Garagens, que desde que foi criado, em 2004, já atendeu a mais de 100 mil crianças. O programa é dirigido a crianças do 5º ano de escolas públicas municipais e estaduais e tem como objetivo promover conceitos de cidadania entre essa população.
Nos passeios de ônibus, monitores contam a história de Campinas, explicam a operação de uma garagem de ônibus e falam sobre a importância do transporte para a cidade, despertando nas crianças o sentimento de cidadania e de preservação do bem público. Nesse projeto, temos como parceiros a Choperia Giovannetti, a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) e a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec).
Como parte das comemorações dos 28 anos da Transurc, o programa ganhou no mês agosto um novo ônibus para o transporte das crianças, mais moderno e com novo layout.
A questão ambiental tem sido um desafio importante nos grandes centros. Como as concessionárias têm enfrentado essa questão?
Armando Correa Damaceno – As concessionárias vêm desenvolvendo importantes projetos de sustentabilidade. Campinas é pioneira no Brasil na utilização de biodiesel no transporte público e recentemente iniciou testes com ônibus híbridos, que operaram com motores convencionais e elétricos. Também desenvolve campanhas e melhorias dos processos operacionais, que, no conjunto, representam ganhos expressivos para o meio ambiente. Um exemplo significativo são os projetos de consumo racional de água. Desenvolvidos antes da atual crise hídrica, os projetos de captação de água de chuva e água de reúso têm sido reconhecidos como exemplos de boas práticas corporativa e ambiental.



