Trabalhos de alguns dos principais fotógrafos de Campinas poderão ser vistos até o final de outubro circulando pela cidade nos painéis traseiros de 30 ônibus. A ação em busdoors, como são chamados os painéis, faz parte da 9ª edição do Festival Hercule Florence de Fotografia de Campinas, que acontece de 1º de outubro a 2 de novembro. O festival é o maior do gênero no interior do Estado de São Paulo e um dos mais representativos do país.
A iniciativa remete à invenção isolada da fotografia no Brasil, em Campinas, feita por Hercule Florence, em 1833, o que, muitos anos depois, contribuiu para o surgimento de grupos de fotografia. Francês radicado no Brasil, Hercule Florence, graças a seus experimentos, é considerado o pai da fotografia no Brasil.
Para homenagear o inventor, o Festival Hercule Florence tem na programação uma série de atividades culturais. “Os busdoors são um tipo de mídia com penetração em toda a cidade, abrangendo grande parcela da população. Ao ceder espaços nos ônibus para a divulgação de trabalhos de importantes fotógrafos de Campinas, as concessionárias contribuem para o fomento da arte e da cultura”, afirma Paulo Barddal, diretor de Comunicação e Marketing da Transurc. Os dez fotógrafos que terão seus trabalhos expostos nos busdoors são Adriano Rosa, Carlos Bassan, Dominique Torquato, Kamá Ribeiro, Marcos Peron, Martinho Caires, Nelson Chinalia, Rogério Capela e Touché.
Quem foi Hercule Florence?
Nascido em Nice, na França, Hercule Florence tinha 20 anos quando desembarcou no Rio de Janeiro, em 1824. Desenhista e pintor, trabalhou como comerciante tipógrafo até decidir se integrar à expedição de Georg Heinrich von Langsdorff pelo interior do Brasil, sendo responsável pelo maior levantamento de dados geográficos e etnográficos do país no século XIX.
Em 1830, Hercule Florence mudou-se para Campinas (então Vila de São Carlos), onde desenvolveu o seu espírito de inventor e empreendedor. Criou um método próprio de impressão, que batizou de poligrafia, fundou o primeiro jornal da cidade e desenvolveu um sistema de notação musical, a zoofonia, para registrar o canto dos pássaros.
Com a ajuda do farmacêutico Joaquim Correa de Mello, Florence conseguiu, em 1833, fixar em papel a imagem captada por uma câmara escura, por meio de sais de prata. Um processo próximo daquele que, sem seu conhecimento, era pesquisado na França havia alguns anos por Joseph Nicéphore Niépce e por seu sócio e sucessor, Louis Daguerre, e também por William Henri Fox Talbot na Inglaterra. Segundo o historiador da fotografia Boris Kossoy, Hercule Florence usou em seus diários a palavra photographie em 1834, quatro anos antes de o químico inglês John Hershel cunhar o termo photography.
- Gui Galembeck
- Nelson Chinalia
- Adriano Rosa
- Martinho Caires
- Marcos Peron
- Rogerio Capela
- Carlos Bassan








