Uso da proteção facial passa a ser obrigatório no transporte urbano, conforme recomendação das autoridades de saúde

Os ônibus das concessionárias que operam o transporte urbano de Campinas, VB Transportes, Itajaí, Onicamp, Expresso Campibus e Coletivos Pádova estão recebendo neste fim de semana os adesivos com o aviso sobre a obrigatoriedade do uso de máscaras para o embarque e permanência nos veículos, que passa a valer a partir de segunda-feira, 4 de maio.

A medida é uma recomendação das autoridades de Saúde para tentar controlar o avanço do novo coronavírus.

A prefeitura de Campinas publicou decreto que obriga o uso de máscaras de proteção facial no transporte público municipal, a partir da próxima semana. A medida é válida para o transporte por ônibus, táxis e aplicativos.

Um decreto do Governo do estado de São Paulo também estipulou a obrigatoriedade do uso de máscaras pelos usuários do transporte intermunicipal em todo o Estado de São Paulo.

Os alertas serão colocados nos para-brisas dos ônibus. Passageiros sem o acessório de proteção serão impedidos de entrar nos veículos.

Ações contra a Covid-19

Os motoristas das concessionárias de Campinas já usam máscaras de proteção facial durante o expediente, há cerca de 15 dias. Mais uma das medidas de segurança adotada pelas concessionárias, como forma de proteção aos funcionários e também aos Clientes do transporte urbano, contra a Covid-19.

Só nas empresas do Grupo Belarmino, da qual faz parte a VB Transportes e Turismo (VB1 e VB3), cerca de 50 funcionários das diversas garagens, e dentro dos setores de tapeçaria, ajudaram na confecção de 17 mil máscaras de tecido, laváveis, as quais foram distribuídas para os motoristas (3 unidades) e os demais funcionários (2 unidades).
A Itajaí e Onicamp também organizaram uma equipe para a confecção das máscaras de proteção dentro das garagens, as quais foram distribuídas entre os funcionários.

Desde o início da crise do novo coronavírus, as concessionárias da cidade adotaram diversas ações para proteger os seus colaboradores e Clientes, como a intensificação da higienização dos veículos, distribuição de álcool gel 70% aos funcionários e ampla divulgação das medidas de prevenção a Covid-19.

Ordem ressalta que dados de queda na demanda em todo o país são semelhantes ao ocorrido com as companhias aéreas, que, ao contrário do transporte público coletivo, vêm tendo atenção especial das autoridades

ALEXANDRE PELEGI via Diário do Transporte

Cresce a pressão sobre o Governo Federal no sentido de garantir o reconhecimento do transporte como direito social, consagrado pela Constituição Federal, e um serviço essencial.

Além de uma emenda propositiva na Câmara de Deputados (leia aqui), e de um Projeto de Lei no Senado (leia aqui), chegou a vez da Ordem dos Advogados do Brasil, seção nacional, encaminhar ofício ao ministro da Economia, Paulo Guedes, solicitando a atuação e os esforços de seu ministério para a aprovação do Programa Transporte Social.

Como mostrou o Diário do Transporte, o programa foi proposto por entidades da área de transportes urbanos, como a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), o Fórum Nacional de Secretários e Dirigentes de Mobilidade Urbana e a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), com apoio da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), com objetivo de auxiliar o setor essencial durante a crise gerada pela pandemia do coronavírus. Relembre: NTU, Fórum de Secretários e ANTP propõem ao Governo Federal compra imediata de passes de ônibus na ordem de R$ 2,5 bilhões/mês

Em seu ofício, a OAB aponta para dados do setor que revelam uma queda na demanda da ordem de 70% em média, em todo o país, em uma situação semelhante ao ocorrido com as companhias aéreas, que, ao contrário do transporte público coletivo, vêm tendo atenção especial das autoridades.

A Ordem destaca que o transporte é “direito social” consagrado pela Constituição Federal e serviço essencial, cujo objetivo é contribuir na garantia de outro direito constitucional, ou seja, o direito de ir e vir, sendo que o transporte coletivo urbano figura em destaque nesse contexto.

Nestes termos, solicito os bons préstimos de V.Exa. no sentido de envidar esforços visando à aprovação do referido Programa, como fator decisivo para manter a operação mínima do transporte público por ônibus no período de crise, fundamental para o deslocamento dos trabalhadores das áreas de saúde, segurança, limpeza pública, abastecimento e outras, todas essenciais, e garantir o pagamento total ou parcial dos salários e benefícios dos milhares de trabalhadores do setor, até a retomada da normalidade social e econômica do País”, afirma um trecho do documento encaminhado ao ministro Paulo Guedes.

Trinta e cinco organizações da sociedade civil também encaminharam ao ministério da Economia e a outras autoridades do governo federal, assim como ao Congresso Nacional e ao Ministério Público e entidades do setor de transporte, uma proposta que visa contribuir para o combate às crises econômica e social enfrentadas no país, sobretudo pelo impacto nos sistemas de transportes durante a pandemia no Brasil. O documento analisa a solução apresentada por entidades do Programa Transporte Social. Dentre as várias entidades, estão o Idec – Instituto de Defesa do Consumidor e o IAB – Instituto de Arquitetos do Brasil (unidades de SP, RS e DF) , além do ITDP – Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento e a Rede Nossa São Paulo. Relembre: Organizações da sociedade civil se posicionam sobre Programa Emergencial do Transporte Social

COMO FUNCIONA O PROGRAMA

O Programa Transporte Social consiste na aquisição pelo Governo Federal de créditos eletrônicos de viagens perante as entidades e empresas, públicas e privadas, responsáveis pela comercialização desses créditos nos diversos sistemas de transportes públicos coletivos por ônibus e na utilização dos meios tecnológicos de bilhetagem eletrônica existentes para distribuição dos créditos aos beneficiários do Programa.

Cada crédito eletrônico de passagem corresponde a uma tarifa pública vigente no sistema de transporte público coletivo por ônibus de cada cidade, região metropolitana ou aglomeração urbana.

O Governo Federal destinará os créditos de viagem do Programa, preferencialmente aos beneficiários dos programas sociais do Governo federal existentes ou que sejam criados durante o estado de calamidade pública do COVID-19.

Como esclarece a ANTP, uma das autoras do Programa, o Transporte Social do Governo Federal “não é um plano de ajuda a empresários. É uma ‘ponte’ indispensável entre o atual momento crítico e a volta à normalidade ao fim da crise Coronavirus. O programa proposto pelas entidades se assenta na importância social do transporte na vida do cidadão comum, que não tem outras formas de mobilidade, e objetiva fundamentalmente garantir sua existência, agora, durante a pandemia, e depois dela. Parece claro que sem transporte não há atividade produtiva, nem empregos, e menos ainda atendimento à saúde pública da população mais vulnerável. Lamentavelmente, isso não foi o que os governos entenderam ao longo de décadas, carreando a grande parte dos investimentos públicos para o transporte por automóvel. Mas neste momento, chegamos a um ponto crítico para a manutenção deste sistema”.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

Os motoristas das concessionárias que operam o transporte urbano de Campinas, VB Transportes, Itajaí, Onicamp, Expresso Campibus e Coletivos Pádova estão usando máscaras de proteção facial durante o expediente, desde o final da semana passada.

Esta é mais uma medida de segurança adotada pelas concessionárias da cidade, como forma de proteção aos funcionários e também aos Clientes do transporte urbano, contra a Covid-19.

Só nas empresas do Grupo Belarmino, da qual faz parte a VB Transportes e Turismo (VB1 e VB3), cerca de 50 funcionários das diversas garagens, e dentro dos setores de tapeçaria, ajudaram na confecção de 17 mil máscaras de tecido, laváveis, as quais foram distribuídas para os motoristas (3 unidades) e os demais funcionários (2 unidades).
A Itajaí e Onicamp também organizaram uma equipe para a confecção das máscaras de proteção dentro das garagens, as quais foram distribuídas entre os funcionários.

Desde o início da crise do novo coronavírus, as concessionárias da cidade adotaram diversas ações para proteger os seus colaboradores e Clientes, como a intensificação da higienização dos veículos, distribuição de álcool gel 70% aos funcionários e ampla divulgação das medidas de prevenção a Covid-19.

Setor de atendimento na sede recebe sinalização de solo para evitar aglomerações de Clientes; funcionários ganham máscaras de proteção e álcool gel

A Associação das Empresas de Transporte Urbano de Campinas (Transurc), gestora do sistema de bilhetagem eletrônica e responsável pela venda de passes para ônibus na cidade, implantou várias ações para enfrentar a Covid-19. As medidas protetivas aos funcionários visam garantir o atendimento seguro também aos usuários e são essenciais para a utilização do transporte público.

Os pontos de atendimento na sede receberam sinalização de solo para evitar aglomerações de Clientes. Também foram adquiridas máscaras de proteção para distribuição aos colaboradores. Toda a equipe recebeu álcool gel 70% para a higienização das mãos.

Funcionários com 60 anos ou mais, ou os que fazem parte do grupo de risco, também foram afastados do trabalho neste período da pandemia do novo coronavírus. Vários colaboradores passaram a trabalhar em home office e o restante da equipe tem se organizado em sistema de revezamento para evitar o excesso de pessoas dentro da associação e nos postos de atendimento localizados nos terminais.

A Transurc ainda colocou cartazes informativos sobre o novo coronavírus em diversos pontos da sede, voltados para a orientação dos funcionários. Também divulga todas as informações e ações sobre a Covid-19 no setor de transporte nas redes sociais e site da entidade.

O atendimento é feito em horário comercial na sede da entidade, na Rua 11 de Agosto, 757, no Centro, mas com equipe reduzida. Outros canais de atendimento são o Disque Transurc, pelos telefones: 0800 014 02 04 ou 4003-6578 ou pelo Fale Conosco, no site: site.transurc.com.br.

Negociação foi feita com o Banco Santander, mas colaborador terá de procurar instituição individualmente

 

JESSICA MARQUES via Diário do Transporte

 

O Grupo Belarmino, que atua em transportes no estado de São Paulo e principalmente na Região Metropolitana de Campinas, informou que os funcionários agora têm carência de 120 dias para crédito consignado.

Ao todo, o grupo possui 8.298 colaboradores diretos. O conglomerado do setor de transportes realizou junto à diretoria do Banco Santander, instituição financeira que mantém contratos de Crédito Consignado com 25% dos funcionários, um acordo que possibilita o refinanciamento da dívida.

Com isso, a carência será de 120 dias (quatro meses) para o pagamento da primeira parcela refinanciada, conforme informado pelo grupo, por meio de nota. Contudo, como são contratos realizados diretamente entre o colaborador e o banco, é necessário que o trabalhador, individualmente, faça o contato com a instituição, seja por meio do aplicativo Santander ou em uma agência física.

“Queremos que os colaboradores possam enfrentar com mais tranquilidade este momento ímpar pelo que o País e o mundo passam. Muitos colaboradores que assinaram contratos com o banco estavam preocupados em como honrar esse compromisso pessoal. O Grupo Belarmino procurou a diretoria do Santander que, de pronto, entendeu a situação e se comprometeu a oferecer taxas acessíveis”, afirmou Paulo Barddal, diretor de Comunicação do grupo.

Para refinanciar a dívida pelo aplicativo, é preciso acessar Empréstimos (no menu principal), simular Empréstimos e selecionar a opção Desconto em Folha. Em caso de o funcionário possuir crédito em atraso, basta entrar em contato com a Central Santander por meio do telefone 4004-2262, opção 2, para fazer a renegociação.

CORONAVÍRUS

Além dessa iniciativa, o Grupo Belarmino tomou outras ações contra a proliferação do novo coronavírus. As atividades incluem a intensificação da higienização dos ônibus, distribuição de álcool gel 70% aos seus funcionários, afastamento dos colaboradores com mais de 60 anos ou que fazem parte do grupo de risco, home-office, palestras sobre cuidados e prevenção contra a Covid-19 em garagens e informativos nos ônibus.

Outra medida é que todos os veículos de comunicação, incluindo as páginas de Facebook, sites, Instagram e Twitter foram atualizadas com detalhes sobre prevenção.

“Os funcionários continuam trabalhando para manter a prestação de serviços voltada aos trabalhadores de serviços essenciais como hospitais, supermercados, farmácias, padarias, construção civil, entre outros estabelecimentos. Esses colaboradores, logo que entram nas garagens, têm a temperatura aferida e, em caso de a mesma ser igual ou superior a 37,7ºC, imediatamente são levados à unidade de saúde mais próxima.”

O Grupo Belarmino é um dos maiores conglomerados do setor de transporte do Brasil. Atua no segmento de fretamento contínuo e eventual, metropolitano, intermunicipal, cargas, rodoviário e coletivo urbano.

Ele é composto pela VB Transportes e Turismo, Rápido Luxo Campinas, Rápido Sumaré, Viação Atual, Viação Campos dos Ouros, West Side, Empresa São José, Nossa Senhora de Fátima, Vila Real, Ouro Verde, Transportes Capellini, VBex e Viaje Mais.

Dados fazem parte de um acompanhamento de associação nacional de viações em 106 sistemas. Queda de demanda, em grande parte das cidades, é superior a 70%

ADAMO BAZANI

Sistemas de ônibus urbanos e metropolitanos de diversas regiões do País já começaram a entrar em colapso com demissões, suspensões de contratos de trabalho, falências de empresas de transportes, quedas de demanda e faturamento superiores a 70%, atrasos em pagamentos e greves.

É o que aponta relatório de acompanhamento da NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, que representa mais de 500 viações, ao qual o Diário do Transporte teve acesso.

O documento é uma amostra de 106 sistemas de transporte de todo o Brasil, não trazendo dados totais do setor, mas reflete o que tem ocorrido de forma rotineira nas cidades e regiões metropolitanas.

De acordo com os dados, por causa da pandemia originada na China, em grande parte das cidades pesquisadas, a queda de demanda foi superior a 70%.

As medidas de isolamento social, com a restrição da movimentação das pessoas, são as únicas formas defendidas por especialistas mundiais de Saúde para conter o avanço do novo coronavírus, causador da Covid-19 que matou mais de 120 mil pessoas em todo o mundo. Os dados estão subestimados, já que todos os países estão com dificuldades em adquirir os testes de diagnósticos, sendo que muitos óbitos sequer foram testados e registrados. É justamente a China, o berço da crise de Saúde e Financeira Mundial, que fabrica quase a totalidade de testes, reagentes, máscaras e respiradores de UTI, que estão bem mais caros e são procurados por quase todos os países do mundo.

Não há vacinas ou remédios comprovados para o vírus e se o número de contágio ao mesmo tempo for maior, não haverá leitos de hospitais para todas as vítimas, que poderão morrer por falta de atendimento adequado.

Como, de acordo com os especialistas não há outro remédio além do isolamento social, os setores mais prejudicados pelo avanço do novo coronavírus pedem auxílio governamental.

Segundo os dados da amostragem da NTU, já foram quase 1,5 mil demissões e mais de 2 mil suspensões de contratos de trabalho, lembrando que os dados reais são maiores, já que o relatório é por amostragem.

Ao menos 279 sistemas tiveram suspensão de serviços parciais ou totais, sendo que 180 chegaram a paralisar completamente as atividades em alguns momentos, contando com 175 cidades de Santa Catarina, além de Araguaína (MT), Ilhéus (BA), Jaboticabal (SP), Nova Pádua (RS) e João Pessoa (PB).

O relatório ainda aponta desistências de sistemas, recolha de frotas e falências de empresas que já estavam em dificuldades financeiras e não aguentaram o baque do novo coronavírus.

Um dos exemplos, já noticiado pelo Diário do Transporte é a da Real Transportes, de Guarulhos, na Grande São Paulo, do grupo Real, do Rio de Janeiro, que em 01º de abril de 2020, deixou de prestar serviços. O grupo está em recuperação judicial.

Cada motorista está recebendo três máscaras e os demais funcionários, duas. Elas estão sendo produzidas por 50 funcionários, em diversas garagens

 

Publicado 16/04/2020 – 07h41 – Atualizado 16/04/2020 – 07h42

Por Maria Teresa Costa

 

O Grupo Belarmino, que opera uma frota de 1,8 mil ônibus nos transportes urbano, metropolitano, intermunicipal e fretamento, iniciou uma força tarefa, com participação de funcionários, para produzir 17 mil máscaras de tecidos que serão utilizadas pelo pessoal que está trabalhando, para evitar a paralisação dos serviços essenciais.

Cada motorista está recebendo três máscaras e os demais funcionários, duas. Elas estão sendo produzidas por 50 funcionários, em diversas garagens, dentro dos setores de tapeçaria. O esforço é mais uma ação do grupo, informou o diretor de Comunicação, Paulo Barddal, ao combate do novo coronavírus.

Todos os funcionários, independentemente do segmento em que trabalham (urbano, fretamento, cargas, metropolitano e intermunicipal) utilizarão máscaras. Além dessa proteção, o grupo intensificou a higienização dos veículos, distribuiu álcool gel 70% aos funcionários, colocou cartazes informativos em todos os veículos da frota, mensagens sobre prevenção em todos os seus meios de comunicação, palestras aos funcionários, lembretes dentro das garagens.

 

Grupo Belarmino produz 17 mil máscaras de tecido, laváveis. Elas serão utilizadas pelos funcionários que trabalham para não deixar os serviços essenciais pararem.

Cerca de 50 funcionários, em diversas garagens do grupo, dentro dos setores de tapeçaria, ajudam na confecção das peças. As máscaras estão sendo distribuídas aos motoristas (3 unidades) e aos demais funcionários  (2 unidades). O esforço é mais uma ação do grupo voltada ao combate do novo coronavírus.

Todos os funcionários, independentemente do segmento em que trabalham (urbano, fretamento, cargas, metropolitano e intermunicipal) utilizarão as máscaras. O Grupo Belarmino já fez diversas ações para proteger os seus colaboradores e usuários.

Entre elas, intensificou a higienização dos veículos, distribuiu álcool gel 70% aos funcionários, colocou cartazes informativos em todos os veículos da frota, mensagens sobre prevenção em todos os seus meios de comunicação, palestras aos funcionários, lembretes dentro das garagens.

“É importante salientar que, mesmo em meio às dificuldades, o nosso Grupo mantém a responsabilidade de prestar serviços para a população. Queremos agradecer a todos os nossos colaboradores que se empenham e se arriscam para atender as comunidades nas quais atuamos”, afirma Paulo Barddal, diretor de Comunicação do Grupo Belarmino. A nova ação teve início no último sábado.

As concessionárias Itajaí e Onicamp distribuíram máscaras de tecido para todos os seus colaboradores se protegerem contra o novo coronavírus enquanto trabalham para atender a população de Campinas.
Está foi mais uma iniciativa das empresas, que seguem as orientações do Ministério da Saúde. As duas concessionárias também distribuem ainda álcool gel para os funcionários e fazem a medição da temperatura dos colaboradores, diariamente, quando eles chegam para trabalhar.
Esta é uma forma das empresas agradecerem sua equipe pelo trabalho realizado neste período de pandemia e auxiliarem na prevenção do vírus.

Como num filme-catástrofe a falta de seriedade em relação ao transporte público coletivo pode nos conduzir da pandemia ao pandemônio

RAFAEL TELES via Diário do Transporte

Enquanto o governo decide que Igrejas são serviços essenciais, oferece socorro às empresas aéreas e discute se deve ou não deve seguir todas as demais nações do mundo em relação ao enfrentamento da Covid-19, os sistemas de transporte público brasileiros vão se desintegrando diante de um ensurdecedor silêncio.

Sim, é verdade que a crise está há muito instalada no setor. Também não é fato novo a confusão que se faz entre Política de Transporte e política no transporte, o que também explica, em grande parte, a visão caricata que se construiu na opinião pública – melhor seria dizer no imaginário popular – de que todo o debate sempre se estabelece em torno dos interesses dos empresários do setor, os “tubarões da catraca”, os “reis dos ônibus” – ou seja lá qual for o título extravagante que ajude a vender jornais (ou, mais modernamente, obter cliques).

Em verdade, construímos no Brasil sistemas de transporte público coletivo perversos, num modelo que só funciona se um pobre subsidiar outro pobre. Sim, são só os pobres (ou os empregadores dos pobres) que pagam pela existência do serviço – e também pagam pelos idosos, pelos estudantes, pelos carteiros e por quem mais for alçado à condição de merecedor de uma isenção. Esse modelo, todos sabemos, limita a fome ao dinheiro que estiver disponível a pagar pelo prato – e é óbvio que, em sendo um sistema financiado apenas pelos mais pobres, o tamanho do prato fica sempre aquém da fome.

Presos que estamos a soluções como o vale-transporte, que é positiva mas não alcança  grandes indústrias, bancos ou companhias aéreas – cito esses três segmentos como exemplos onde a despeito de grande capacidade contributiva e incentivo governamental usa-se maciçamente o transporte privado – só conseguimos financiar a operação do transporte público coletivo quando ele usado acima da sua capacidade ótima (afinal, quem paga a tarifa o faz por si e por mais alguém que usa o serviço sem pagar). E sobrevivemos assim até o Covid-19.

A pandemia paralisou o convívio social, as atividades de educação, parte da produção. E se para combatê-la é preciso reduzir a circulação de pessoas, nos restaria paralisar o transporte público coletivo, certo? Não.  De repente, as autoridades brasileiras descobriram que a operação dos sistemas de transporte é essencial ao funcionamento dos hospitais, dos supermercados, das padarias, dos açougues e até das lojas de material de construção – todos, agora, também equiparados em essencialidade ao próprio transporte público. E mais: decidiram que está proibida a lotação dos veículos, agora todos devem viajar sentados (penso que nem o mais otimista dos manifestantes de 2013 imaginaria essa conquista).

E é aí que mora o nosso novo problema. A crise dentro da crise. Ao mesmo tempo que as pessoas reduziram o uso do serviço, foi preciso manter a frota em operação como se a vida estivesse normal. E isso não está sendo um problema em Paris, que vive o mesmo quadro de pandemia, mas onde 60% do custo do sistema de transporte é financiado pelo Estado ou pelas grandes empresas. Nem em Londres, onde uma taxa de congestionamento aplicada aos transportes privados cobre os custos de parte do serviço. Nem mesmo em São Paulo, que destina quase 3 bilhôes de reais por ano para manter o sistema de transporte público com uma qualidade maior que a que seria possível por uma tarifa de R$ 4,25. É em Macapá, João Pessoa, Pelotas, Salvador ou Tubarão que a nova realidade está cobrando o preço mais alto.

Sem outra fonte de custeio que não seja a própria tarifa cobrada dos usuários, que já não usam mais o serviço, o Brasil opera aos olhos do mundo um milagre econômico: espera que empresas privadas comprem combustíveis, peças, pneus e paguem salários com um dinheiro que, simplesmente, não existe. E antes que alguém fale nos “reis dos ônibus” a gente precisa lembrar que o lucro das empresas – pelo menos no caso das urbanas, com contratos licitados, já estava limitado. Diferente das empresas aéreas que aumentam as passagens conforme a demanda, as empresas de ônibus não têm poder para definir nem preço e nem oferta. Nem custo, nem qualidade.

Ao contrário do Boi, da Bala e da Bíblia, representados politicamente no Congresso, o transporte coletivo só conta com a bancada dos ônibus, aquela em que os passageiros tomam assento – enquanto ainda há vagas (e ônibus, claro). Os 107 mil ônibus urbanos brasileiros empregam mais de meio milhão de pessoas diretamente. E, para essas pessoas, bem como para as que dependem do serviço de transporte coletivo (pagando por ele ou não), aparentemente, o Governo Federal e os Governos Locais deixam, nesses tempos de lacração em redes sociais, no máximo, uma hashtag: #elesquelutem.

Rafael Teles, é bacharel em Administração pela Universidade Federal da Bahia, especializado em Planejamento de Transporte e Gestão da Mobilidade Urbana e Diretor de Produto da Transdata